Vitor Miranda: A gente não quer voltar pra casa (2018)

Vitor Miranda é poeta e contador de causos. Tem 4 livros publicados, com destaque para A gente não quer voltar pra casa, semifinalista do prêmio Oceanos 2019. É criador e apresentador do programa de entrevistas Prosa com Poeta. Na música é criador, letrista e poeta da Banda da Portaria e também do Margaridáridas.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro A gente não quer voltar pra casa (Kotter Editorial, 2018).



AZUIS


quantos azuis há nos varais
quantas terminações em dores
no primeiro verso
tem algo submerso nas água
que eu não vejo pendurada


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Carol Sanches: Devo admitir que me dá um certo prazer (2020)

Carol Sanches nasceu em Campinas em 1981. Autora de Não me espere para jantar (Patuá, 2019), menção honrosa no Prêmio Maraã de Poesia 2018, Devo admitir que me dá um certo prazer (Urutau, 2020), e dos livros independentes Poesias Pormenores (2007) e Toda diva tem divã (2008). Tem poemas publicados em revistas digitais e faz parte das antologias poéticas Parem as máquinas! (Selo Off Flip, 2020), Laudelinas (Mirada Janela, 2020), Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto: o centenário (Mirada Janela, 2020), Quem dera o sangue fosse só o da menstruação (Urutau, 2019) e Prêmio Sarau Brasil 2018.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Devo admitir que me dá um certo prazer (Urutau, 2020).



O TAROT


que o mistério do mundo
está no mundo
todos sabem

dirão, é claro
a lua tem fases
a lua estica as marés
a lua minguante faz cair os cabelos
de vergonha

só não dirão
tan seguros
como a carta se levanta inteira
após o corte
ou sobre como o corte
sangra limpo
sem vestígios

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Leonardo Marona: Baby Buda (2021)

Leonardo Marona (1982) nasceu em Porto Alegre. Vive no Rio de Janeiro. Publicou os livros: Pequenas biografias não-autorizadas (poesia, 7Letras, 2009); l’amore no (poesia, 7Letras, 2011); Conversa com leões (contos, Oito e meio, 2012); Óleo das horas dormidas (poesia, Oficina Raquel, 2014); Cossacos Gentis (romance, Oito e meio, 2015); Herói de Atari (poesia, Garupa Edições, 2017); Dr. Krauss (novela, Oito e meio, 2017); Uma baronesa às quatro da madrugada (poesia, Ed. Urutau, 2018). Acaba de lançar o romance Não vale morrer pelas Edições Macondo.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Baby Buda (Corsário-Satã, 2021), disponível para aquisição neste endereço.




BABY BUDA


quero aqui no meio desta
confusão poder aprender
a estar desatento de mim
sem, com isso, me perder.

observo os tipos vaidosos:
o que conta seus ganhos,
o que conta suas perdas,
o que diz como não conta,
o que conta como não diz.

quero ser o que não conta
mas sabe o que não conta
e, sem contar, se esquece
e se esquecendo, aprende.

fazer do pequeno, grande
e, do grande, o que passa
sem deixar grande rastro.

olhar para o varal vazio,
tão perfeito de ausência.
não pensar na roupa suja
mas no corpo que cobriu
a roupa suja com sujeira.

derrubar todas as portas,
receber o que sem nome
vive atrás do meu futuro
e morre além do passado
na mata funda da clareira.

participar da grande feira:
os bolsos cheios de nada,
com a fome dos planetas.

arrancar por fim os olhos
e tomar banho no escuro:
escorrer no ralo do nome.

dar migalhas aos filhotes,
deixar sem fazer barulho
o leão dormir com fome.



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Beatriz Rocha: A mulher grande (2021)

Beatriz Rocha é historiadora formada pela UNICAMP e escritora em trânsito entre São Paulo e Minas Gerais. Tem experiências em educação popular, curadoria de artes visuais e consultoria cultural. Já publicou poemas e contos na Revista Desvario, Revista Toró e Antologia Subsolo. A Mulher Grande (Editora Urutau, 2021) é seu primeiro livro.



Os poemas a seguir foram selecionados da obra A Mulher Grande (Editora Urutau, 2021).



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Peço para apagarem a luz
mas não entendem que são as luzes todas:
do quarto, da rua, das cidades
das estrelas, do universo
pois sou incapaz de sustentar um olhar

E talvez nem toda a escuridão
de um universo sem luzes
seja capaz de
vedar a timidez dos meus olhos
e a aflição das minhas mãos tímidas

De me fazer ser capaz de sustentar um olhar:

das mulheres
deitadas de baixo de mim
na minha cama

das mulheres
deitadas em cima de mim
na minha cama

das mulheres
deitadas de lado comigo
na minha cama

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Tiago D. Oliveira: Mainha (2020)

Tiago D. Oliveira nasceu em 1984, em Salvador-BA, graduado e mestrando em Letras pela UFBA, tendo passado pela UNL (Portugal). Tem poemas publicados em blogs, portais, revistas e jornais especializados no Brasil, Portugal e Espanha. Participou também de antologias no Brasil e em Portugal. Publicou Distraído, poesia (Editora Pinaúna, 2014), Debaixo do vazio, poesia (Editora Córrego, 2016), Contações, poesia (Editora Patuá, 2018), As solas dos pés de meu avô, poesia, publicado no Brasil (Editora Patuá, 2019) e em Portugal (Editora Gato Bravo, 2021), e o livro Mainha, poesia (Editora Patuá, 2020). Escreve para o portal literário Letras In.Verso e Re.Verso. Finalista do prêmio Oceanos 2020 com o livro As solas dos pés de meu avô e Vencedor do Selo João Ubaldo Ribeiro 2020, na categoria poesia, com o original Soprando o vento.




Os poemas a seguir foram selecionados do livro Mainha (Editora Patuá, 2020).



O OLHO MÁGICO


Quando os meninos foram crescendo,
a menina também queria voar,
de um tudo entendo, só não sei dançar.
Sem saber negar continuou cedendo.
Cedeu sua cadeira na classe,
seu direito de ser filha, irmã,
seu caminho sem impasse,
sua sonhada brisa da manhã.
Aproveitou para negar a mágoa
dando ao desassombro dos outros,
pouco a pouco, a natureza da água.
Foi chão e céu como poucos.
Mainha entendeu da vida o abraço
como força e beleza, o laço.

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