Luís Perdiz: A selva nos seus olhos (2026) – Audiolivro

Audiolivro “A selva nos seus olhos”, poemas de Luís Perdiz com arranjos de Bruno Gazoni. Participação especial de Malu Maria na faixa “II”.

Poemas e leitura: Luís Perdiz
Compositor, performer musical, mixagem e masterização: Bruno Gazoni
Fotografia da capa: Ambrosina Daguerre

Este audiolivro foi concebido com o apoio de uma bolsa de criação literária concebida em 2025 pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Edital PNAB Nº 28/2024 na categoria Obra Literária Inédita.


Ouça o audiolivro completo neste link.

Millôr Fernandes: Hai-kais (1997)

Millôr Fernandes foi um dos mais versáteis e influentes intelectuais brasileiros do século XX, destacando-se como escritor, jornalista, dramaturgo, cartunista e tradutor. Nascido no Rio de Janeiro em 1923, construiu uma carreira marcada pelo humor inteligente, pela crítica mordaz e pela habilidade de transitar entre diferentes linguagens, do texto literário à charge. Colaborou com importantes veículos como a revista “O Cruzeiro” e foi um dos fundadores de “O Pasquim”, publicação emblemática na resistência cultural durante a ditadura militar no Brasil. Com um estilo irônico e profundamente observador, Millôr deixou uma obra vasta que questiona costumes, poder e a própria linguagem, consolidando-se como uma figura central do pensamento crítico e do humor no país até sua morte, em 2012.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Hai-kais” (L&PM, 1997).


Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a lua.

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Victor Del Franco: Trilogia Arcanos (2026)

UMA TRAVESSIA ENTRE ARCANOS
por Victor Del Franco


Muitos anos já ficaram para trás desde o rascunho inicial e da escrita dos primeiros versos que viriam a se tornar uma trilogia inesperada.

Sim, tudo começou de maneira casual em janeiro de 2016, por conta de uma proposta de criação literária do Palavraria, um coletivo de escritores e poetas que se reunia quinzenalmente na Casa das Rosas em São Paulo.

A proposta era a seguinte: sortear duas cartas de um baralho de tarô e, a partir destas cartas, escrever dois contos ou dois poemas que fizessem referência direta aos respectivos arcanos sorteados. Pois bem, os arcanos que eu sorteei foram o Imperador e o Julgamento.

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Maria Eduarda Lima: carreto (2025)

Maria Eduarda Lima cresceu na praia do Janga, em Pernambuco. É jornalista, escritora e psicanalista. Mora em São Paulo, onde aprendeu que as mudanças cortam e costuram. Autora de “Cutícula” (2022), da plaquete “La Ursa: a história de um fim em cinco poemas” (2023) e “carreto” (2025).


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “carreto” (2025), lançado pela Editora Primata e disponível para aquisição neste link.



SÓBRIA

o dia que eu parei de beber
tinha trinta e um anos e oito meses

não
o dia só tinha vinte e quatro horas

eu é que já tinha três décadas
e setecentos e quarenta dias

acontece
simplesmente acontece
de não entrar mais nada
goela abaixo

não dava certo com água
álcool
e suco

não passava
sprite
café
ou absinto

eu parei de beber
e comecei a engolir seco

até saliva me enojava
a única cachoeira que ainda me dava apetite
era você

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Christian Dancini: Suspensos no ar em silêncio por um instante (2025)

Christian Dancini  é um poeta nascido e residente de São Roque, São Paulo. Aos 22 anos, publicou “Reminiscências”, com prefácio de Renato Gonda e Eduardo Agni, e ilustração de Emerson Santana. Lançou também “Pleroma” e “Dialeto das Nuvens”, semifinalista do prêmio Oceanos 2024.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Suspensos no ar em silêncio por um instante”, seu lançamento mais recente, editado pela Primata em 2025 e disponível para compra aqui.



SUSPENSOS NO AR EM SILÊNCIO POR UM INSTANTE

Eu olho para as fotos como que procurando o destino.
Não sei exatamente onde eu me perdi.
Não sei exatamente onde a encontrei.
Não sei sobre o pavio aceso do tempo que nos esmaga
como insetos.
Eu olho nos teus olhos e te procuro.
Em todos os olhares eu te perco.
Porém, eu prometo, que na noite mais escura, do céu mais
vazio,
das estrelas mais fustigantes, fugidias, eu estarei
segurando a tua mão,
suspenso no ar, em silêncio, por um instante.
Eu procuro tua mão à noite, ao amanhecer e ao
entardecer.
Em todas as cordas me emaranho, enrosco o pescoço na
forca.
Entretanto, te perco, nas lâminas de aço pungentes,
no segredo que o céu não soube guardar. Eu escrevo poesia para alcançar o
teu nome, que já diz
tudo.
Eu olho para as fotos como que procurando a ti,
mas encontro as tuas últimas palavras cravadas em seda:
“tu jamais alcançarás a lua se não saltar o precipício”.

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