Giovana Cristina Bastos: Caranguejo (2024)

Giovana Cristina Bastos é paulistana de 2000. Através da palavra, tenta ressignificar o termo “griô” em sua genealogia, unindo memória e presente em projetos possíveis de futuro. Participou da antologia “Cartografias – vol. 1: contos de autoras brasileiras” (2022) com o conto “Água Doce”, publicou a plaquete “Axolote” (2023) e o livro “Caranguejo” em 2024, todos pela Editora Primata.

foto: Mare Mongelos

Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Caranguejo” (Primata, 2024), disponível para compra neste link.



DIVÃ COM MINHA BISAVÓ E OYÁ

Homem, mato e reduzo a barro,
com minha mão e meu braço
belo e forte, torneado.

E depois banho as crianças,
impávida,
sem mágoa.

Liberdade,
no futuro, anglicismo
e uma carteira de trabalho: no fear,
sem medo, no fear.

Revés do açoite, cigana,
mulher que é lâmina,
sol nascente,
costela do impotente.

Viro do avesso uma víscera
e danço.

Penteio e tranço
as coroas crespas
das mulheres banto.

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Rodrigo Qohen: O Sopro de Orfídia (2024)

Rodrigo Qohen (1993) é poeta, multiartista, editor e agitador cultural de São Paulo; atua com criações coletivas com a Baboon & outras bandas, explorando suportes diversos como livro, impressões, performance, som, imagem e jogo.

Desde 2023, é co-organizador e MC da noite mensal de jogos poético-sonoros ¡SVSTVS!
expôs trabalhos de collage e fotografia na Unicamp (Campos Magnéticos, 2019), Galerie Amarrage (Saint-Ouen, 2020), Maison André Breton (Paris, 2021) e Casa SLAMB (2025).

Como dramaturgo-ator-produtor-diretor assinou os espetáculos Psicomanto (2022), Reflexvs (2023), Trickster: as pantufas de Artaud (2024) e Bestiário (2025); publica artigos em revistas de artes e literatura, além de poemas no blog Quimera Delirante.

Entre seus livros e plaquetes de poesia estão O Parricídio (2016), Lâmpada em ponta de agulha (2017), Entre a vertiginosinagem (2018), revista VIDRO (2018), Dente Desperta (2019), Os Uivos (2023), Nossos corpos explodindo como grandes sois bêbados (2024), Rastro e Registro: desvios assêmicos no Parque da Luz (2024) e O Sopro de Orfídia (Primata, 2024).



Os poemas a seguir foram selecionados do livro O Sopro de Orfídia (Primata, 2024), disponível para compra neste link.


MEU CORPO DEITADO NO FOGO

A lua banha o rio tortuoso
E viajante cega ao mirar na luz

Não vence o vento vindo deserto
Como monstro que faz murchar as ervas
E das pedras que usa em punhos, pó de giz

Rasteja até o altar para desenhar o ponto
com cabeça triangular e corpo Melusine
Suplica que lhe deixe penetrar mais fundo
Na noite de núpcias, trepadeira parasita
Enquanto a língua bifurcada amarra Todavia

A mente tem asas libertas, mas corpo no chão
Uma grande transparente lhe convoca aos pés
A cada beijo, sua poça seca
Duas jarras misturam o uivo
A lua em crescente vulva

Quando os ramos secam,
vem Orfídia e lhe deita o lobo… no fogo

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Daniel Perroni Ratto: Destemida Ferrabraz (2025)

Daniel Perroni Ratto é poeta, jornalista, músico e editor da Editora Algaroba. Pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA/USP, autor dos livros ‘Urbanas Poesias’ (Ed. Fiúza, 2000), ‘Marte mora em São Paulo’ (A Girafa/Escrituras, 2012), ‘Marmotas, amores e dois drinks flamejantes’ (Ed. Patuá, 2014), ‘VoZmecê’ (Ed. Patuá, 2016), ‘Alucinação’ (Algaroba, 2018), ‘Grinalda de um Poeta’ (Algaroba, 2021) e ‘Destemida Ferrabraz’ (Algaroba, 2025).


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Destemida Ferrabraz” (Algaroba, 2025).


DAS CINZAS, SANTAS PROFANAS
(Para Fernanda Montenegro)

É Admirável, neste Mundo Novo,
a resistência de antigas bruxas,
incríveis forças da natureza
eternizadas em cristais de fogo.

Para cada livro a 232.7 celsius,
para cada crime de pensamento,
haverá um de nós a combater,
a criar mais filosofia divergente.

A diversidade não será calada,
os rituais xamânicos continuarão
produzindo ligações etéreas
entre a práxis, a retórica e o universo.

E, graças ao Deus, ao Alienígena,
aos óvulos da maternidade
entre clones, cyborgs e igrejas
surgem novas Santas Profanas.

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