Jorge Mautner: Poesias de Amor e de Morte (1981)

Jorge Mautner (Rio de Janeiro, 1941) trouxe inúmeras contribuições para a cultura brasileira. Em tudo que produz, há uma notável correlação de temas e ideias: o Kaos.

Multifacetado, em 1968 roteirizou Jardim de Guerra, filme de Neville d’Almeida. Dois anos depois, em 1970, dirigiu o longa metragem O Demiurgo. Na música, concebeu muitos discos, dentre eles Jorge Mautner (1974) e Revirão (2007), e teve sucessos gravados por grandes nomes da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Chico Science & Nação Zumbi.

Na literatura, estreou bem cedo, aos 21 anos, com Deus da chuva e da morte (1962), obra agraciada com o Prêmio Jabuti, seguida de diversos livros, dentre os quais Vigarista Jorge (1965), Panfletos da Nova Era (1978) e Miséria Dourada (1993).

De modo geral, Mautner esteve presente nos mais relevantes movimentos culturais brasileiros das últimas 5 décadas, seja por meio de sua literatura, por suas composições ou pelas forças de sua presença e ideias.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Poesias de Amor e de Morte (1981).



ITENS DO MOVIMENTO UNIVERSALISTA DO KAOS


1) É um movimento nacionalista e universal. Daí nascerá o PK, ou seja: PARTIDO DO KAOS
2) As primeiras definições teóricas estão em toda a obra poética-literária-filosófica-musical de Jorge Mautner.
Nota: urgente como primeiríssima tarefa publicar as obras completas (literárias e musicais) de Jorge Mautner. Livros e Lps.
3) O item três é épico-pitagórico e representa a tese-síntese-antítese: O Pai, o Filho Espírito Santo. Mas em nosso movimento totalizante o número 3 é ainda a pirâmide, o triângulo sexual do Id, o pai, a mãe e o filho-filha, o ego, superego e inconsciente. Ou ainda: o Movimento Universalista do Kaos, o Partido do Kaos, e o instituto plurimetafísico do Kaos é o maracatu atomizante em forma de pororoca que nem o gigantesco encontro de potencialidade do Amazonas com o mar.
4) O item 4 é também sagrado, aliás todos os números são. Incluída na filosofia do Kaos com K, a numerologia, a cabala, astrologia, telepatia, empatia e toda e qualquer fenomenologia, a psicanálise freudiana e a de todos dissidentes (ênfase em Marcuse, Normam O. Brown, Otto Ranck, Carl Jung, Ferensky, Geza Roheim e, claro, Wilhelm Reich.
O número 4 é a harmonia total, que é a reprodução em contraponto de dois, o par, o amor, o 4 é o acréscimo dos dois alter-egos em dança total permanente. O item quatro é, sem dizer nada, mistério total e absoluto. É ótimo para rituais e festividades e meditações silenciosas e/ou musicais para exorcizar grilos, pessimismos, bodes ou satanismos agressivos como por exemplo: bombas de terror da esquerda, do centro ou da direita. O quatro é o repúdio que a bandeira da paz do Kaos faz e assim navega tranquilo em ritmo Axé-Odara e apazigua os demônios. Contrapontos e mistério primeiro da descoberta da quarta dimensão.
5) O número cinco é para designar que todas as minorias pertencem ao MUK: (Movimento Universalista do Kaos). As sociais, as espirituais, as negras, mulatos, cafuzos, mamelucos, místicos, mulheres, homossexuais, bissexuais, pansexuais, sado-masoquistas, etc…
6) O item sexto é para dizer que é tudo mais ou menos 73% em ondas sonoras-musicais. A comunicação total!

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