Alberto Bresciani: Fundamentos de ventilação e apneia (2019)

Alberto Bresciani nasceu no Rio de Janeiro. Vive em Brasília. É autor de Incompleto movimento (José Olympio Editora, 2011), de Sem passagem para Barcelona (JoséOlympio Editora, 2015, finalista do prêmio APCA de Literatura – Poesia de 2015) e de Fundamentos de ventilação e apneia (Editora Patuá, 2019). Integra, entre outras, as antologias Outras ruminações (Dobra editorial, 2014), Hiperconexões (Editora Patuá, 2014), Pássaro liberto (Scortecci Editora, 2015), Pessoa – Littératurebrésilienne contemporaine (Revista Pessoa, editionspéciale – Salon du Livre de Paris, 2015) e Escriptonita(Editora Patuá, 2016). Tem poemas publicados em portais, blogs e sítios da internet e em revistas e jornais impressos.





Os poemas a seguir foram selecionados da obra Fundamentos de ventilação e apneia (Editora Patuá, 2019)




HIENAS


I

Acreditamos
(em vão)
em mutações,
cura e resgate

Muitos sóis caem
e as impossibilidades
ainda sustentam
nossos desertos


II

A fome é o que mantém
as hienas acordadas.

Laura Navarro: Sinestesia (2019)

Laura Navarro nasceu em São Paulo em 2000, e se interessou pela poesia aos doze anos – e, desde então, nunca mais parou de escrever. Ela já apareceu em coletâneas e vídeos do coletivo Senhoras Obscenas, além de já ter publicado dois livros: Clair de Lune (2016) e Natasha (2018). Atualmente, ela cursa jornalismo na Faculdade Casper Líbero.



Os poemas a seguir foram selecionadas da obra Sinestesia (Editora Primata, 2019), disponível para aquisição neste endereço.




FLANEUR

Olho aos cantos de minha cidade
como se passasse à tempos anteriores
aos meus
e andasse em outros sapatos
cheiro de fuligem que me penetra
a chuva cai lentamente
mudando lentamente
os tons do céu dos prédios dos museus
de absolutamente
tudo
erupção sensorial
de cores dissonantes
que podem ser
tocadas
pelos meus
mocassins

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Rudi Renato Jr.: E quando a flor um sorriso (2019)

Rudi Renato Tedeschi Júnior, Porto Alegre (28/11/1994). Começou a escrever poemas aos 18. Em 2014, passou a vendê-los no parque da Redenção. Em 2016, criou sua página no Facebook, que alcançou mais de 6000 curtidas. Em 2018, publicou o livro Mania pela editora Livronovo. Em 2019, ingressou na faculdade de escrita criativa da PUCRS e publicou, pela editora Primata, o livro e quando a flor um sorriso.     




Os poemas a seguir foram selecionados do livro e quando a flor um sorriso (Editora Primata, 2019).




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.

a tua voz quebrada entre os dentes
quase uma febre por olhos ou unha
hinários ora sob muita compra
com a pele à mostra da queimação
um grito de dor assim o gesto
de repente um adeus aos poucos
com a desculpa das piscinas o animal
o animal seu totem sob marte em vênus
e quando a flor um sorriso
como se um desabrochar onde teu corpo
aos berros como nos jornais
a espuma de barbear
teus ossos esmagados
o que teus olhos entre a cor do tempo
por que não falas sobre isso ou sobre coisa nenhuma


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Julia Bicalho Mendes: Azul Caixão (2019)

Julia Bicalho Mendes nasceu no dia dois de fevereiro, no Rio, quando conheceu o mar. publicou os livros de poesia para um corpo preso no guindaste (Ed. Patuá, 2012), desde quando deserto (Ed. Patuá, 2014) e azul caixão (Editora Primata, 2019). é co-fundadora da nosotros, editorial e da revista saúva. se dedica ao cuidado, à música e à poesia. (e aos delírios. e às partidas.) diáspore há tanto tempo: mistura sotaques, línguas y gêneros. tem apreço por cartas, embora demore a responder: [email protected]




O poema a seguir integra o livro azul caixão (Editora Primata, 2019).




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MAR

afogamento

estes dias os outros estes mares os outros estes mínimos naufrágios
sem variantes possíveis esta poça cálida agora mais nada a chuva um gesto
asfixiante a perda de dias memoráveis já estamos tão fodidos amor não
importa agora a cor da água ali vai a chuva ali derivada de música



‘estos días
los otros
este amor desgarrado por el mundo esta diaria constante despedida’

Idea Vilariño


Marcelo Montenegro: Forte Apache (2018)

Marcelo Montenegro nasceu em São Caetano do Sul (SP), em 1971. Além de poeta, é iluminador de teatro e roteirista de TV e cinema. Com o guitarrista Fabio Brum, lançou o CD Tranqueiras líricas, baseado no espetáculo homônimo em cartaz há mais de dez anos.


foto: Renato Parada



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Forte Apache (Companhia das Letras, 2018).




Três pensatos


1.

PENSO naquela única gota
gelada do chuveiro quente.
Nas ilíadas clandestinas
que a febre percorre
até virar suor. Penso nas caretas
que os músicos fazem
quando estão solando.
No meu pai me dizendo
que tudo isso aqui era mato.
Penso na imagem exata
de uma aurora indecisa.
Penso em calços de papelão
para pianos mancos.


2.

PENSO em alguém que, na manhã
do dia de sua morte, desiste
de usar a camisa que mais gosta,
preferindo guardá-la para uma festa
que terá na noite seguinte.


3.

PENSO em você, por exemplo,
largando o controle
remoto e dizendo –
do jeito mais lindo
do mundo – que adora
quando consegue pegar
um filme do começo.

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Clara Baccarin: Vísceras (2019)

Clara Baccarin é poeta do interior paulista. Formada em Letras e mestre em Estudos Literários pela Unesp, publicou os livros: Castelos Tropicais (romance, Editora Chiado), Instruções para Lavar a Alma (poesia, publicação independente), Vibração e Descompasso (crônicas, Editora Laranja Original). Seu livro Instruções para Lavar a Alma recebeu o Prêmio Guarulhos de Literatura 2017. Em maio de 2019, lançou seu segundo livro de poemas, Vísceras (Editora Patuá), contemplado com o edital de poesia do ProaC. Site: www.clarabaccarin.com




Os poemas a seguir foram selecionados do livro Vísceras (Editora Patuá, 2019).


Amanhã meu corpo dói

se não é de danças e de bênçãos

que eu o cubro

Amanhã as ondas devolvem

o que sem sentir com o dentro

eu mergulhei

Amanhã o coração regurgita

onde eu pisei

sem caber todo o meu ser


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André Merez: Vez do Inverso (2017)

André Merez nasceu na capital paulista em 1973, iniciou como letrista e contrabaixista das bandas Cathedral e Siso Símio nas décadas de 80 e 90, cursou Letras e fez pós-graduação em Língua Portuguesa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Na graduação realizou pesquisa sobre o discurso do poder na obra de Plínio Marcos e na pós defendeu tese sobre as relações entre o processo inferencial e as questões de interpretação de texto na verificação de aproveitamento de leitura. Leciona Teoria da Literatura e Gramática há mais de 18 anos e desenvolve pesquisas sobre música, artes plásticas e poesia. É autor do livro Vez do Inverso (Editora Patuá, 2017), editor da revista POESIA AVULSA e já teve seus poemas publicados nas revistas Mallarmargens, Diversos Afins, Germina e Gueto.




Os poemas a seguir foram selecionados do livro Vez do Inverso (Editora Patuá, 2017).




CORPO DA PALAVRA


Agora
o poema tem outra causa.
Seu efeito, lume ofuscado,
pousa

ainda
na concretude fixa e fiel
do corpo da palavra
vaza.

Depois,

o signo escorre
e brilha o seu sêmem,
penetra a cavidade e,
finalmente, fecunda o
óvulo da palavra.


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Orides Fontela: Rosácea (1986)

Orides Fontela, uma das mais importantes poetas contemporâneas brasileiras, nasceu em São João da Boa Vista (SP) no ano de 1940 e faleceu em Campos de Jordão (SP) em 1998. Mudou-se em 1967 para a capital paulista, onde cursou filosofia na Universidade de São Paulo. É autora dos livros de poesia Transposição (Instituto de Espanhol da USP, 1969), Helianto (Duas Cidades, 1973), Alba (Roswitha Kempf, 1983), Rosácea (Roswitha Kempf, 1986) e Teia (Marco Zero, 1996). Sua obra foi reunida em 2015 pela editora Hedra, acrescida de poemas inéditos.





Os poemas a seguir foram selecionados do seu livro Rosácea (Roswitha Kempf, 1986). Confira a postagem sobre suas outras obras neste endereço.





AURORA


Rosa, rosas. A primeira cor.
Rosas que os cavalos
esmagam.


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Rubens Jardim: Cantares da Paixão (2008)

Rubens Jardim, 72 anos, jornalista e poeta. Publicou poemas em diversas antologias no Brasil e no exterior.  É autor de cinco livros de poemas: ULTIMATUM (1966), ESPELHO RISCADO (1978), CANTARES DA PAIXÃO (2008), FORA DA ESTANTE (2012) e ANTOLOGIA DE POEMAS INÉDITOS (2018). Organizou e publicou JORGE, 8O ANOS (1973) – uma espécie de iniciação à parte menos conhecida e divulgada da obra do poeta alagoano e que foi o pontapé inicial do ANO JORGE DE LIMA, em comemoração aos 80 anos do nascimento do poeta, evento que contou com o apoio de Carlos Drummond de Andrade, Menotti del Pichia, Cassiano Ricardo, Raduan Nassar e outras figuras importantes da literatura do Brasil. Integrou o movimento CATEQUESE POÉTICA, iniciado por Lindolf Bell em 1964, cujo lema era: o lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares.





Os poemas a seguir foram selecionados do livro Cantares da paixão (Editora Artepaubrasil, 2008). Ao final da publicação, há também um poema inédito.




AUTORRETRATO


Até que enfim
Não dei em nada
Dei em mim



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Bruno Brum: Tudo pronto para o fim do mundo (2019)

Bruno Brum nasceu em Belo Horizonte, em 1981. É poeta e designer gráfico. Publicou os livros Mínima ideia (2004), Cada (2007) e Mastodontes na sala de espera (2011, vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria Poesia, em 2010). Tem trabalhos publicados em periódicos e antologias no México, na Argentina, no Peru, no Paraguai, na Espanha e nos EUA. Em 2018, a Antônima Cia de Dança apresentou em São Paulo o espetáculo Isso ainda não nos leva a nada, inspirado no livro Mastodontes na sala de espera. Vive em São Paulo desde 2012.


foto: Tatiana Perdigão

Os poemas a seguir foram selecionados do livro Tudo pronto para o fim do mundo (Editora 34, 2019).



O PORCOSSAURO


O Porcossauro não está contente.
Precisa de novos amigos
e um novo lar.
Precisa se esforçar mais
e entender que nada na vida vem fácil.
O Porcossauro caminha pela cidade observando os outros porcossauros
aparentemente mais felizes do que ele.
Sabe que é hora de mudança.
Mas mudar o quê? pergunta-se, angustiado.
Ninguém poderia estar mais triste.
Nem mesmo os porcossauros que não têm onde morar e o que comer.
Tudo depende de você, dizem os porcossauros felizes.
E isso só piora as coisas.
O Porcossauro pensa na Porcossaura e no Porcossauro Jr.
A angústia aumenta.
Não há para onde ir, conclui, atravessando a rua.
Não há por onde continuar.
Mas deve haver um jeito.
Deve haver um jeito, resmunga.
Ou não me chamo Porcossauro.


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