Antologia “só a poesia salva” – participe!

Amigos(as), escritores(as) e leitores(as), diante da atual conjuntura de imensos desafios para todos(as) nós, buscamos formas de seguir com nosso projeto de difusão da poesia brasileira contemporânea, seja com nossas publicações em livros da Editora Primata, seja com nossa revista eletrônica.

Deste modo, iniciamos uma campanha de financiamento coletivo, que resultará num livro de poemas das pessoas que colaborarem. A obra será coordenada com muito carinho por nossa comissão editorial e a temática é livre.

Para quem desejar ajudar com o projeto, mas não têm interesse em publicar na antologia, há também opções de recompensa com livros do nosso catálogo e a possibilidade de nos patrocinar.

Além disso, estamos preparando novidades para que todos(as) possam continuar se alimentando de poesia nesses tempos difíceis – fiquem de olho!

Seguimos juntos(as) e viva a poesia!

LINK PARA PARTICIPAR: www.catarse.me/so_a_poesia_salva

Giselle Vianna: Eclíptica (2019)

Giselle Vianna nasceu em 1981 na cidade de Campinas-SP. É poeta, pesquisadora e ecoeducadora. Formada em Direito pela USP, é doutora em Sociologia pela Unicamp, com pesquisas sobre trabalho escravo contemporâneo. 

Publicou os livros de poesia Interpeles (Editora Komedi, 2008), premiado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas e Pau-rodado (Editora Patuá, 2016), participando de antologias e revistas literárias. Organizou também o livro Tempo de Jabuticabas (2016), lançado pela Editora Pontes. Eclíptica (Benfazeja, 2019) é seu livro mais recente, reunindo poemas escritos em Veneza durante pesquisa realizada na Università Ca’ Foscari.

Contato: [email protected]



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Eclíptica (Benfazeja, 2019).



VENEZA

deflora
meu medo
com o sal
dos navegantes
depõe
sobre os canais
abertos
e os varais
atentos
o sol
do instante
deserta
minhas veias
com a deriva
de tuas vias
com tua noite
naturalmente
fria
deflagra em mim
teu ciclo
e despista
o fatalismo
de meu vício tropical

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Marcelo Torres: Saindo sem avisar/Voltando sem saber de onde (2020)

Marcelo Torres escreveu Vertigem de Telhados (poemas, 2015) e nadar em cima da rua (poemas, 2015) editados pela Kazuá, Páthos de Fecundação e Silêncio (poemas, 2017), Poemas tímidos e gelatinosos (2019) editados pela Patuá e Saindo sem avisar/Voltando sem saber de onde (poemas, 2020) editado pela Córrego. O autor nasceu em Pernambuco na cidade de Palmares no ano de 1984.



Os poemas a seguir foram selecionados da obra Saindo sem avisar/Voltando sem saber de onde (Córrego, 2020). Disponibilizamos também um breve recorte da recepção crítica da obra.



QUEM SABE

Na diafaneidade
do escuro
das alamedas
paulistas
teus olhos/lumes/linces
ágeis
atingem um passante
de relance
que não sabe
de suas recordações
começa um lance
aqui talvez
quem sabe
G./grifado
teu jeito na mesa
com uma bebida
como se fosse um raminho
manuseado para lavar
o corpo
tua boca/instalação rubra
dobradura/cerejeira
ressoa na semana
inteira
graça oceânica
em dias quase pacatos
eu tudo invento
madeiras multicoloridas
de meu barco/cenário
com o figurino
de teu perfil
o que queria – só por hoje –
aclarado
para não te estafar
era estar conglutinado
ao teu lenço/perfume
martelando a serenidade
das cabeças falantes

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Marcio Aquiles: A Implosão do Significante Paranoide na Constelação de Aquário

Marcio Aquiles é escritor e crítico teatral. Autor dos livros O Eclipse da Melancolia; O Amor e outras Figuras de Linguagem; O Esteticismo Niilista do Número Imaginário; Delírios Metapoéticos Neodadaístas, entre outros. É um dos autores da obra Critical Articulations of Hope from the Margins of Arts Education (Routledge). Neste ano, publicará A Odisseia da Linguagem no Reino dos Mitos Semióticos, pela Editora Primata.


Abaixo alguns poemas de seu projeto A Implosão do Significante Paranoide na Constelação de Aquário, de poesia visual pelo Instagram (@marcioaquiles).



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Mariana Varela: Enigmas de jaguar e jasmim (2020)

Mariana Varela Camara, poeta nascida em setembro de 1991, publicou Tempestade Musicada pela Editora Primata (2018) e Enigmas de Jaguar e Jasmim pela Editora Urutau (2020). É cientista social formada pela Universidade de São Paulo com mestrado em sociologia pela Universidade Nova de Lisboa. 



Os poemas a seguir foram selecionados da obra Enigmas de Jaguar e Jasmim (Urutau, 2020).



IMAGEM E PARTE


Você me diz imagem

Eu tropeço no sol,
verdadeira miragem.

Você me diz máquina

Eu rejeito
E com o tempo planto
maracujás e larvas.

Você me diz pedra

Eu revolvo o âmago
Cato a pedra e quero
quebrar a máquina.

Você me diz pássaro

E lamenta o canto agudo
de um rio esquecido
na Amazônia.

Cavo um buraco
em cada palavra
que me dizes

Buscando tirar delas
seu sangue-fato

Mas fracasso.

Caio de novo
no papel em branco

Imagem Máquina
Pedra Pássaro

Lembro de cada coisa
Sua infinita dor
E parto.

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Carina Carvalho: Corpo clareira (2019)

Carina Carvalho nasceu em 1989, em São Paulo. É autora do livro de poemas Marambaia (Editora Patuá, 2013), da plaquete Passiflora (edição da autora, 2017) e do livro Corpo clareira (Editora Feminas, 2019), recém-lançado. Tem textos publicados em algumas revistas digitais e impressas. Em <clcarina.wordpress.com> é possível acompanhar um pouco desses caminhos.


Os poemas a seguir foram selecionados da obra Corpo clareira (Editora Feminas, 2019).


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relance de olho miúdo não pega descanso
em ponto cego. só reluz minúcia diária:
– quantos brincos a gente tem na cara…

e quantas vezes você pisca nas semanas mais terríveis?
ou então falamos de lentes. das que botam o mundo
como um borrão pra dentro do bolso

no mais,
se é furo em mucosa, miopia ou inchaço,
isto é o corpo diariamente modificado

olhos que sofrem cores
e marcas mais rosadas que os pequenos lábios

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Arthur Lungov: Corpos (2019)

Arthur Lungov é poeta e editor de poesia da revista Lavoura. É autor do Corpos (Quelônio, 2019), obra que foi contemplada pelo 2° Edital de Publicação de Livros da Cidade de São Paulo; e da plaquete Anticanções (Sebastião Grifo, 2019). Foi publicado em coletâneas e revistas literárias. Email para contato: [email protected]



Os poemas a seguir foram selecionados da obra Corpos (Quelônio, 2019).



CAMINHO

rasgos
na pele

sendas abertas
traçadas

prefere fazer as vezes de
campo percorrido e
marcado

gente que não têm medo
de cartografar as
próprias vias

que jamais enterrou sem cruz
algo ou alguém
nas beiras
de si

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Susy Freitas: Alerta Selvagem (2019)


Susy Freitas nasceu em Manaus, Amazonas. É autora do livro de poesia “Véu sem voz” (Bartlebee, 2015) e “Alerta Selvagem” (Patuá, 2019), vencedor do Prêmio Violeta Branca Menescal, destinado ao melhor livro inédito de poesia no Prêmio Literário Cidade de Manaus. É uma das editoras da Revista Torquato (www.revistatorquato.wordpress.com). Já publicou poemas na Revista Subversa, Revista 7 faces, Mallarmargens, Jornal Plástico Bolha, Revista Sirrose, Revista Sexus, dentre outras. Posta ocasionalmente no Medium (www.medium.com/@susyfreitas) .



Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Alerta Selvagem” (Patuá, 2019).

AMAZÔNIDA (I)

Não me pergunte
sobre o rio – eu
fui cozida
no pavimento – eu
nunca soube
nada do rio – além
dos meus sedimentos – do
abraço morno
do domingo
flutuante

e o cenário todo
sorve esse sentir.

Lá abraço o rio
que aperta tudo
num nado
devorado –
longe da margem
pra longe da tarde.

Não me confunda com esse lugar
nasci aqui – mas meu rosto mente.
Não toco o chão com propriedade
na negação – beijo – o rio sente

e o cenário todo
sorve esse sentir.

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Lívia Corbellari: carne viva (2019)

Lívia Corbellari nasceu em 1989, em Salvador (BA), mas mora em Vitória (ES) desde 1996. É jornalista, mantém o projeto literário Livros por Lívia e também faz parte do núcleo editorial da Revista Trino, sobre literatura brasileira contemporânea. Carne viva é seu primeiro livro de poemas.

Foto: Heitor Righetti


Os poemas a seguir foram selecionados da obra Carne viva (Editora Cousa, 2019).


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veias enferrujadas
sangue duro
corações engarrafados

tentamos negar nossas origens
mas o ódio e a mágoa são hereditários
ainda assim
é irremediável amar

e eu não sei fingir
igual a minha mãe
e a mãe dela

mas você sabe machucar
igual ao seu pai
e o pai dele

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Ruy Proença: Monstruário de fomes (2019)

Ruy Proença nasceu em 9 de janeiro de 1957, na cidade de São Paulo. Participou de diversas antologias de poesia, entre as quais se destacam: Anthologie de la poésie brésilienne (Chandeigne, França, 1998), Pindorama: 30 poetas de Brasil (Revista Tsé-Tsé, nos 7/8, Argentina, 2000), Poesia brasileira do século XX: dos modernistas à actualidade (Antígona, Portugal, 2002), New Brazilian and American Poetry (Revista Rattapallax, nº 9, EUA, 2003), Antologia comentada da poesia brasileira do século 21 (Publifolha, 2006), Traçados diversos: uma antologia da poesia contemporânea (organização de Adilson Miguel, Scipione, 2009) e Roteiro da poesia brasileira: anos 80 (organização de Ricardo Vieira de Lima, Global, 2010). Traduziu Boris Vian: poemas e canções (coletânea da qual foi também organizador, Nankin, 2001), Isto é um poema que cura os peixes, de Jean-Pierre Siméon (Edições SM, 2007), Um certo Pena, de Henri Michaux (Pãooupães Editorial, 2017) e, de Paol Keineg, Histórias verídicas (Dobra, 2014), Dahut (Espectro Editorial, 2015) e Entre os porcos (Pãooupães Editorial, 2018). É autor dos livros de poesia Pequenos séculos (Klaxon, 1985), A lua investirá com seus chifres (Giordano, 1996), Como um dia come o outro (Nankin, 1999), Visão do térreo (Editora 34, 2007), Caçambas (Editora 34, 2015) e Monstruário de fomes (Patuá, 2019). Publicou também os poemas infantojuvenis de Coisas daqui (Edições SM, 2007) e Tubarão vegano e outros elementos (Espectro Editorial, 2018).



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Monstruário de fomes (Patuá, 2019).



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