Vanderley Mendonça: De Amor & Morte (2021)

Vanderley Mendonça, editor do Selo Demônio Negro, é jornalista, designer, tipógrafo, esgrimista e tradutor. Lecionou Editoração na Escola de Comunicação e Artes da Universida- de de São Paulo – ECA-USP. Estudou Colorimetria (Master’s Degree in Color Science) no RIT – Rochester Institut of Tech- nology, Rochester, EUA, onde se especializou em Teoria das Cores. Traduziu, entre outros livros, Poesia Vista, antologia bilíngue do poeta catalão Joan Brossa (Amauta/Ateliê, 2005), Crimes Exemplares, de Max Aub (Amauta, 2003), Nunca aos Domingos, de Francisco Hinojosa (Amauta, 2005) e Gregue- rías, de Ramón Gómez de La Serna (Selo Demônio Negro, 2010), Meninas que vestiam preto, antologia de mulheres da geração beat (Selo Demônio Negro, 2017), Mini-antologia da poesia holandesa e flamenga (Selo Demônio Negro, 2019), Poesia/Gedicht, de Hermann Hesse (Selo Demônio Negro, 2020). É autor dos livrso ILUMINURAS, (Ed. Patuá, 2013) e De Amor & Morte (Selo Demônio Negro, 2021).



Os poemas a seguir foram selecionados do livro De Amor & Morte (Selo Demônio Negro, 2021)

UM CANTO FUNDO


um silêncio verde
feito de guitarras

um poço com vento 
em vez de água

não se pode calar 
a voz da mágoa

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Lívia Lemos Duarte: Anfíbios (2021)

Lívia Lemos Duarte (Niterói, 1981),  é autora do livro de poemas Anfíbios, publicado em 2021, pela Editora Patuá. É mestre em Ciência da Literatura pela UFRJ e em Filologia Hispânica pelo CSIC, em Madri. Atualmente, é professora de português no Centro Cultural do Brasil, em Barcelona, onde reside desde 2010.

foto: Julio Arenas

Os poemas a seguir foram selecionados do livro Anfíbios (Patuá, 2021).



SAPOS


Passe a sua língua pela minha pele
Tem o outro que sou eu,
em mim que vira você.

As pequenas marcas no corpo
são pegadas por andar com as mãos,
com olhos entrelaçando dedos
e fluidos liberados por brânquias. O corpo.
O que vem dentro do corpo?

Semáforos em fogo anulam cores
gotas de chamas
chamam o meu nome
em verde de folhas úmidas,
vermelho coágulo de sangue,
mimético amarelo, deslizando
as curvas.

Atenção.

Passe a sua língua sobre a minha pele.
Este é um motivo para sentir a façanha
de estar em ambos lados.

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Michaela v. Schmaedel: Quênia – poemas de viagem (2021)

Michaela Schmaedel (1976) nasceu e mora em São Paulo, é editora de cultura e poeta. É autora dos livros Coração Cansado (Penalux, 2020) e Quênia – poemas de viagem (Cas’a edições, 2021). Escreve resenhas sobre literatura para jornais e revistas e é editora do podcast Poesia pros Ouvidos.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Quênia – poemas de viagem (Cas’a edições, 2021).



À NOITE

Procuro
ossos
carcaças
pego
eu mesma
o que
consigo.

Carrego
eu mesma
a morte.


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Ademir Assunção: Risca faca (2021)

Ademir Assunção (1961) é poeta e jornalista. Publicou 14 livros de poesia, contos, romance e jornalismo, entre eles A Voz do Ventríloquo (Prêmio Jabuti 2013), Pig Brother (finalista do Prêmio Jabuti 2016), Ninguém na Praia Brava, Adorável Criatura Frankenstein, Zona Branca, LSD Nô e Faróis no Caos. Tem poemas e contos traduzidos para o inglês, espanhol e alemão, publicados nos EUA, Espanha, Argentina, México, Peru e Alemanha. Gravou os cds de poesia e música Viralatas de Córdoba e Rebelião na Zona Fantasma. Letrista de música popular, tem parcerias gravadas por Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Titane, Patrícia Amaral e Ney Matogrosso. Jornalista profissional há mais de três décadas, trabalhou como repórter e editor em grandes jornais e revistas do país, como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Marie Claire. Idealizador e curador da exposição Leminski: 20 Anos em Outras Esferas, sobre a obra do poeta curitibano, no Instituto Itaú Cultural. É um dos editores da revista literária Coyote.


Os poemas a seguir foram selecionadas do livro Risca faca (Selo Demônio Negro, 2021).


CAVERNA


me tranquei na caverna com platão
pra enfrentar meus próprios males
não vi primata nem zapata nem dragão
ouvi o canto das sereias pelos bares
chamei pra briga o capeta de facão
senti o aço perfurando a carne mole
gritei bem alto um tremendo palavrão
chamei são jorge pra ajudar o filho pobre
daqui ninguém sai vivo nem com reza ou um milhão
um dia até o tolo acaba que descobre
perdi o medo de espelho e solidão
só levo a vida com a pele que me cobre

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Gabrielle Dal Molin: Carnaval no Abismo (2021)

Gabrielle Dal Molin nasceu em 1987, em São Paulo. Viveu no interior deste estado até se mudar para o Rio Grande do Norte. É professora de História, mestre em Antropologia e doula. Além de poemas, escreve sobre as vivências de ser mãe, bissexual e não monogâmica. Seu primeiro livro de poesia, Seiva (Ed. Multifoco) foi publicado em 2017 e o segundo, Carnaval no Abismo, acaba de ser publicado pela Munganga Edições, contemplado pela Lei Aldir Blanc, através da Fundação José Augusto, do Governo do RN. 

foto: Ian Rassari


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Carnaval no Abismo (Munganga Edições, 2021).




CARNAVAL NO ABISMO



arisco feitiço

nosso tempo é desse silêncio
forte
feito o mar sem grito

é menor do que eu penso

arrisco chamar de amor
um carnaval nesse abismo

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