Jade Luísa: O olho esquerdo da Lua (2021)

Jade Luísa nasceu em Natal (RN) e vive em Brasília. Estuda Letras na UnB, é atriz e escreve dramaturgia para o Coletivo de Teatro Enleio. É autora do livro O olho esquerdo da lua (Penalux, 2021) e integra as antologias As luas: o amor e suas variações (Lumme, 2020) e No meio do fim do mundo (Elã, 2022).



Os poemas a seguir foram selecionados do livro O olho esquerdo da lua (Penalux, 2021).


OLHO DA SUCURI

ao poeta Claudio Daniel 
 

Fogo no centro do corpo  
Corpo na ponta da bala  


Água na bala do corpo  
Bicho na fome do fogo  
 
 
Corpo na ponta da faca  
Fome na água do corpo  
 
 
Morte no olho do bicho  
Bicho na fome do povo.


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Juliana Ramos: No coração fosco da cidade (2018)

Juliana Ramos escreve, revisa e traduz. É graduada em Letras (português e francês) pela Universidade de São Paulo e cursou os Programas Formativo e de Aprimoramento em Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida. É autora do livro No coração fosco da cidade (Impressões de Minas, 2018) e integra a antologia Corpo de terra (Quelônio, 2021).



Os poemas a seguir foram selecionados do livro No coração fosco da cidade (Impressões de Minas, 2018).


PONTO DE PARTIDA


caminho por meu bairro como quem viaja
como quem desconhece o que vê
ou esquece o que conhecia

coloco-me no centro de tudo
e passando passo despercebida

sou a caminhante contemplativa
que se deslumbra mas não se adequa
e cada ângulo ou detalhe novo
provocam a memória do que nunca vi

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Claudio Daniel: Sete olhos & outros poemas (2022)

Claudio Daniel, pseudônimo de Claudio Alexandre de Barros Teixeira, é poeta, romancista e professor de literatura. Nasceu em 1962, na cidade de São Paulo (SP). Cursou o mestrado e o doutorado em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP). Realizou o pós-doutoramento em Teoria Literária pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi diretor adjunto da Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, curador de Literatura no Centro Cultural São Paulo e colunista da revista CULT. Atualmente, Claudio Daniel é editor da revista eletrônica de poesia e artes Zunái, do blog Cantar a Pele de Lontra (http://cantarapeledelontra.blogspot.com) e ministra aulas online de criação literária no Laboratório de Criação Poética, curso realizado à distância, via internet. Publicou diversos livros de poesia, ensaio e ficção, entre eles Cadernos bestiais: breviário da tragédia brasileira, Portão 7 e Marabô Obatalá, todos de poesia, o livro de contos Romanceiro de Dona Virgo e o romance Mojubá.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Sete olhos & outros poemas (Córrego, 2022).


CONVERSA SOBRE O BRASIL COM UM POETA CHINÊS

País tão sombrio –
como um arco-íris
negro;
como um cão
negro
e outros cães,
todos negros;
luz negra,
jade negro, pele negra,
sangue negro,
soldados
brancos e negros
que matam
negros,
uma, duas, três,
até oitenta vezes;
palavras escuras
secam na boca,
costurada;
nenhum pensamento
é possível
aqui,
só o telejornal
zumbi;
Em qual língua
é possível
expressar
este açougue
de carne humana?
Este é o relógio
do medo,
estes são os dez dedos
do medo
Há sobreviventes?
Uma palavra cai, duas,
três palavras, numa tigela
vazia.
Um rato é o nosso rei.
Relâmpago ilumina
flor mínima, no caminho
das antiflores.

2019

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Erlândia Ribeiro: VERMELHO/RUÍNA (2021)

Erlândia Ribeiro é escritora, tendo publicado o livro de contos Superfícies irregulares pela Kotter Editorial em 2019 e seu livro de poemas, vermelho/ruína em 2021, pela Editora Urutau. É graduada em Letras Espanhol e Mestra no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – PPG-MEL pela Universidade Federal de Rondônia e, atualmente é doutoranda em Estudos Literários no Programa de Pós-Graduação do PPGL-UFES pela Universidade Federal do Espírito Santo. Trabalha com os diários da escritora argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972), seu objeto de vida e de pesquisa. É uma das fundadoras do Clube das Escritoras de Rondônia.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Vermelho/ruína (Urutau, 2021).


ÁGUAS SÃO ESPAÇOS ABERTOS

sonho perpétuo
língua estremecida
em qual curva
fugimos?
tudo enfraquecido
afoga
no precipício
as águas são espaços abertos
você é um espaço aberto
mesmo que endereçado.

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Eleazar Venancio Carrias: Máquina (2021)

Eleazar Venancio Carrias nasceu em 1977, no município de Tucuruí, Pará. Publicou os livros de poesia Máquina (Urutau, 2021), Regras de fuga (e-galáxia, 2017) e Quatro gavetas (Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, 2009), vencedor do Prêmio Dalcídio Jurandir de Literatura 2008. Em 2022, foi semifinalista do Prêmio Oceanos e finalista do Prêmio Mix Literário. 



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Máquina (Urutau, 2021).


BABILÔNIA

Babilônia não fica longe.
É nela que habito
desde que você partiu.

Não há exílio maior
do que percorrer a casa
com uma cadeira vazia
atravessada no peito.

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