Djami Sezostre: Óbvio oblongo (2019)

Djami Sezostre, criador da Poesia Biossonora e da Ecoperformance, é autor dos livros: “Lágrimas & Orgasmos”, “Águas Selvagens”, “Dissonâncias”, “Moinho de Flechas”, “Cilada”, “Solo de Colibri”, “Çeiva”, “Pardal de Rapina”, “Anu”, “Arranjos de Pássaros e Flores”, “Cachaprego”, “Estilhaços no Lago de Púrpura”, “Yguarani”, “Silvaredo”, “Z a Zero”, “Eu Te Amo”, “Onze Mil Virgens”, “O Menino da sua Mãe”, “Zut”, “Cavalo & Catarse”, “Salmos Verdes”, “O pênis do Espírito Santo”, “Cão Raiva”, “Óbvio Oblongo”, “O pássaro zero”.



Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Óbvio Oblongo” (Laranja Original, 2019).


FLORMÃE

A minha mãe saiu pelo mundo
Ela queria pedir pelo filho que
Não falava a não ser pelos dentes
Que mordiam a boca da irmã
Ela queria pedir pelo filho que
Não falava a não ser pelas mãos
Que mordiam a boca da irmã

Como dentes que mordiam
Como serpentes não a irmã

E sua boca de beijos como
Serpente aos lábios de lótus

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Celso de Alencar: UM HOMEM CANTAVA PARA CACHORROS (2022)

Poeta paraense, radicado em São Paulo desde 1972. É reconhecido entre os grandes talentos da Geração de 1970. É autor dos livros de poesia Salve SalveArco VermelhoOs Reis de AbaetéO Primeiro Inferno e Outros PoemasSete (com 25 xilogravuras de Valdir Rocha), TestamentosPoemas PerversosO Coração dos Outros,  Desnudo e Um homem cantava para cachorros.  



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Um homem cantava para cachorros (Pantemporâneo, 2022).

MERDAS

E agora, seus merdas?
Agora que a caixa de pandora
foi partida ao meio
e o grande segredo revelado
o que me dizem?
Agora que as árvores estão tombadas.
Agora que os pintores de faixas de rua
estão em greve contra os baixos salários.
Agora que as águas do Atlântico
chegam com extrema violência à praia
e arrebentam as calçadas e as
barracas dos vendedores de peixe frito
e sorvete de framboesa e morango.
Agora que a maldita mentira se vê exposta
sobre os grandes balcões dos bares
o que me dizem?
Seus merdas.

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Pedro Torreão: Alalázô (2023)

Pedro Torreão (1988) é recifense, sociólogo e poeta. Mora em São Paulo desde 2017. Estreou com Pão Só (Editora Urutau, 2021), pelo qual recebeu menção honrosa no Prêmio Maraã de 2019. Alalázô (Editora Aboio, 2022) é seu segundo livro de poemas. Tem poemas publicados em revistas como Aboio, Ruído Manifesto, Lavoura, entre outros.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Alalázô (Editora Aboio, 2023), em pré-venda neste endereço.


REFEIÇÃO

Cortar unhas no terraço
não espalha meus pedaços pela casa.

Carrego o urro, ruo e roo
pedaço a pedaço
na sala de estar.

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Julia Pantin: Da lichia a língua (2021)

Julia é formada em economia pela Unicamp. Em 2021, participou do CLIPE (Curso de Preparação do Escritor) da Casa das Rosas e publicou Da Lichia a Lingua, coletânea de haikais com aquarelas autorais pela editora Fábrica de Cânones. Em 2022, publicou Árias à Interioridade, seu segundo livro, pela editora Mondru. Tem diversas participações em revistas eletrônicas, como Ruído Manifesto, Mallamargens, RevistaPupa!, ZineMaritmas.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Da Lichia a Lingua (Fábrica de Cânones, 2021).


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Hora da siesta
Uma procissão de formigas
Na minha barriga

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Danihell TW: Campos férteis (2022)

Danihell TW nasceu em Taboão da Serra (por ele chamada de Taboão das Trevas), é formado em Letras e atua como professor do estado de São Paulo.

Publicou os livros Convite ao abismo (Multifoco, 2014), As Musas estão esmagadas no asfalto (Benfazeja, 2016), Cosmopeles (Plaquete independente, 2017), Tempos de penhasco (Patuá, 2018) e a plaquete X (Primata, 2018), Masmorra (Patuá, 2019), Poemas da peste (independente, 2020) e Selfportrait (Guismofews, 2022). Teve a honra de estar entre os finalistas do Prêmio Off Flip de Literatura 2021 com o soneto Ausência e é o organizador do Sarau Encontro dos Malditos que celebra a literatura dark, gótica e melancólica.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Campos férteis (Patuá, 2022).


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Submersa nestes
Rios de sono
A memória se dissipa
Na corrente sanguínea
E a pele respira
O branco eterno
Da palavra morta
No abismo da boca.

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