Marcelo Torres: Tu és isto e mais dez mil coisas (2022)

Marcelo Torres publicou Vertigem de Telhados (poemas, 2015) e nadar em cima da
rua
(poemas, 2015), editados pela Kazuá, Páthos de fecundação e silêncio (poemas,
2017) e Poemas tímidos e gelatinosos (poemas, 2019), editados pela Patuá. Com a
editora Córrego publicou os livros Saindo sem avisar/Voltando sem saber de onde
(poemas, 2020) e Tu és isto e mais dez mil coisas (poemas), lançado no mês de maio de
2022. O autor ainda têm poemas publicados em antologias, revistas de literatura e
cultura no Brasil e no México. É um dos criadores do Canal Clóe de Poesia que já
realizou mais de 70 entrevistas com poetas brasileiros e da Editora Clóe que é uma casa
editorial de publicação de literatura no país. Nasceu em Pernambuco na cidade de
Palmares no mês de março de 1984.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Tu és isto e mais dez mil coisas (Córrego, 2022).


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Flora Miguel: tempo sem cruz (2022)

Flora Miguel é jornalista, trabalhadora da cultura e escritora. Tem experimentos com dramaturgia, assina a canção “Pela Cidade” em parceria com o duo A Transe e tem poemas publicados em revistas literárias no Brasil, Portugal e México.

foto: Raissa Nosralla


Os poemas a seguir foram selecionados do seu livro de estreia “tempo sem cruz” (Primata, 2022), disponível neste link.



BOAS-VINDAS

primeiro o susto
primeiro desterro
primeiro um tom inaudível
um raio espesso
dentes em festa se chocando
primeiro

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Carlos André: mínima lâmina (2020)

Carlos André é poeta, compositor e pesquisador literário independente. Idealizador, ao lado de Marcelo Torres, do Canal Clóe de Poesia e da Editora Clóe. Já ministrou inúmeras oficinas, palestras e workshops sobre composição musical e criação literária. Tem diferentes trabalhos espalhados pelas redes.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro mínima lâmina (Córrego, 2020).


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pelas mãos de meu pai
férreas mãos
tudo fero

pelas mãos de meu pai
meus irmãos
meu desterro

o que escrevo
pelas mãos de meu pai?

o que vem à boca?

em quais noites
doces mãos

mãos de barro
mãos aos pedaços

canção

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Jéssica Iancoski: A Pele da Pitanga (2021)


Jéssica Iancoski é contista infantil, poeta, editora e criadora de conteúdo digital. Ao todo, seus projetos somam mais de 1 milhão de acessos (Spotify e YouTube). É autora de “A Pele da Pitanga” e “TeXtosterona: do X à neutralidade dos homens”. Participou de diversas antologias e revistas nacionais e internacionais (Argentina, Colômbia, Espanha, Galiza, Peru, Portugal). É fundadora do “Toma Aí Um Poema” — maior podcast lusófono de declamação de poesia. Para Ernani Buchmann, presidente da Academia Paranaense de Letras, a poesia de Jéssica Iancoski, em “A Pele da Pitanga” é um manifesto e “inaugura no país uma poética raiz, algo inusitado”.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “A Pele da Pitanga” (Toma Aí Um Poema, 2021).


MAMA NA TETA DA MATA


quem desmata
mata não só a mata

mata e ninguém fala
mata e o estado cala

matam a mata
matam à bala

a boca brasileira cala
a cara brasis nata

a boca branca bebe e
mama na teta da mata

a boca branca mata
e mama na teta da mata

mata e mama
na mama da mata

mama e mata
— é mamata.


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Marina Ruivo: Leite de mulher (2021)

Marina Ruivo nasceu no Dia Internacional da Mulher de 1978, em São Paulo. Cursou Letras/Português na USP e lá defendeu o mestrado e o doutorado. Trabalhou como freelancer no mercado editorial e atualmente é professora universitária. Mantém o canal A barca Marina, no Youtube e publicou Nossa barca (Patuá, 2019) e Geração armada: literatura e resistência em Angola e no Brasil (Alameda Editorial/Fapesp, 2015).



Os poemas a seguir foram selecionados de seu novo livro Leite de mulher (Patuá, 2021).



A NATA

Um nada.
Mera nata no oceano que é a vaca.

Leite de mulher, se fervido, dá nata?
Não sei, mas do meu leite provei.
Gosto de rosa, de flor.
Gostei.

Uma flor do leite, a nata?
Ou um nada no oceano da vida,
esse éter que nunca fomos e pra onde
nem sabemos se vamos caminhar?

Um átimo, um suspiro.
Uma batida do coração que está na mão.

Nossa vida nata no mundo de leite.
Parindo, parindo, parindo.
Uma vaca, um leite.
Um nada,
Uma nata.

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