Layla Gabriel de Oliveira: O que há por trás da porta (2020)

Layla Gabriel de Oliveira (1999) é poeta, professora e graduanda em Letras na UFPR. Foi finalista do Prêmio Off-Flip de Literatura (2020 e 2021), e do Concurso de Contos Luci Collin (2020). Teve poemas publicados em mídias como Revista Torquato e Literatura BR. O seu livro de estreia, O que há por trás da porta, foi publicado em 2020 pela Kotter Editorial.



Os poemas a seguir foram selecionados do livro O que há por trás da porta (Kotter Editorial, 2020).



ODE À FACA NA MINHA GARGANTA

como caco de vidro
eu engulo a palavra
que desce furando
abrindo buraco
vazando poema

eu engulo um caco
onde fura a palavra
que abre descendo
uma porta de sono
uma ponta de faca

eu abro uma porta
que aponta o poema
engulo onde vaza
e desce do sono
a palavra que
de vidro

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Kleber Lima: Poemas I (2016)

Kleber Lima é bibliotecário e nasceu em Teresina (PI) em 1984.



Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Poemas I” (Penalux, 2016).



1


Não há lugar
a não ser você ou eu.
Desapropriada a dor
um deserto se instala
progride sobre nossos corpos
irreversivelmente;
como lagartos
precipitamos no arenoso,
em busca da umidade,
manter o escasso
o nível exato do ávido
ou aumentar o estoque
o make me a mask antitédio
através das sucções cactáceas
do beijo
da desova lírica
desses blocos de ácido no peito
somos derivados
salvos, contudo,
por essas parênquimas aquíferas
absintando nossas feridas
por esses sumos sem rumo
recheados de carne ofídica
o amor goelabaixo
o amor goelabaixo
o amor goelabaixo
entre nossos caninos dentes
também dá samba.

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R. Paiva: Cenas da passagem (2021)

Raphael Paiva nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1998. Dedica-se à poesia desde os 14, tendo começado a traduzir aos 17 (inicialmente, apenas poetas anglófonos, como William Butler Yeats e Ezra Pound) a fim de estudar a lírica na intimidade de diferentes línguas e tradições.




Os poemas a seguir foram selecionados do seu livro Cenas da passagem (Primata, 2021), disponível para aquisição neste link.



I


Sou contra a pedra que jaz profunda, etimológica, no adjetivo pétreo.

A pedra, dormente, acrítica,
é de uma paciência sem descanso ao tempo.
A pedra pesa,
a pedra vale,
a pedra sem fim, a pedra finita,
intimidade concreta, substantiva, despida de metafísica – que não a penetra –

opõe-se ao destino de coisa abjeta.

Calada, a pedra dispensa também silêncio,
gravidade, vida, valores.
A pedra, com sua pedagogia ociosa, oprimida,
só me ensinou a atirá-la:

antes, nas horas vagas;

hoje, nas decisivas.


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Jhenifer Silva: no olho da mata virgem (2021)

Jhenifer Silva (1986) nasceu em Mirassol, no noroeste paulista, e vive em Barão Geraldo (Campinas) desde 2013. É mestra em Teoria e Crítica Literária pela Universidade Estadual de Campinas, onde desenvolve tese de doutorado na mesma área. Além de pesquisadora, trabalha com formação de professores e escreve poemas. Tem textos em revistas digitais e impressas, entre as quais estão Lavoura, Garupa e Felisberta. Seu livro de estreia, no olho da mata virgem (2021), saiu pela Ofícios Terrestres Edições. E-mail para contato: [email protected].


Os poemas a seguir foram selecionados do livro no olho da mata virgem (Ofícios Terrestres Edições, 2021)



ABRINDO CAMINHO


na estrada recém-aberta
esta lança esgarça o caminho
os galhos o rio toda a miríade
cruza o interior da folhagem densa
onde apenas bichos passaram durante
anos. algum tempo depois encontra o teu peito
fechado como o matagal. a geleira imediatamente
se derrete e peixes engaiolados saltam para as margens do rio
você alonga as sobrancelhas abre um assovio fino
_ demorou para os peixes mergulharem de novo
o mato volta a crescer, cobrindo toda ferida
foi um assovio ou alguma coisa foi dita?
despreocupada com os pés na grama
rio dos homens só mais uma vez
enquanto treme o meu corpo
inflado por aquele assovio
na navalha do silêncio
ouço trovões grunhi
dos ilumina-se céu
aprendo a falar

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Pedro Torreão: Pão Só (2021)

Pedro Torreão é cientista social, mestre em Sociologia e poeta. Nascido em Recife, reside em São Paulo desde 2017, onde escreveu “Pão só”, que recebeu menção honrosa no Prêmio Maraã de Poesia 2019.

foto: Luiza Assis e Natalia Nunes


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Pão só” (Urutau, 2021).



TEU SANGUE


raro sentido
em minha pele
espalhado em mucosas
e mãos.

Quando toco
uma falta
que ele me faz:
escorre ao chão.


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