Michaela Schmaedel (1976) nasceu e mora em São Paulo, é editora de cultura e poeta. É autora dos livros Coração Cansado (Penalux, 2020) e Quênia – poemas de viagem (Cas’a edições, 2021). Escreve resenhas sobre literatura para jornais e revistas e é editora do podcast Poesia pros Ouvidos.
Os poemas a seguir foram selecionados do livro Quênia – poemas de viagem (Cas’a edições, 2021).
À NOITE
Procuro ossos carcaças pego eu mesma o que consigo.
Ademir Assunção (1961) é poeta e jornalista. Publicou 14 livros de poesia, contos, romance e jornalismo, entre eles A Voz do Ventríloquo (Prêmio Jabuti 2013), Pig Brother (finalista do Prêmio Jabuti 2016), Ninguém na Praia Brava, Adorável Criatura Frankenstein, Zona Branca, LSD Nô e Faróis no Caos. Tem poemas e contos traduzidos para o inglês, espanhol e alemão, publicados nos EUA, Espanha, Argentina, México, Peru e Alemanha. Gravou os cds de poesia e música Viralatas de Córdoba e Rebelião na Zona Fantasma. Letrista de música popular, tem parcerias gravadas por Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Titane, Patrícia Amaral e Ney Matogrosso. Jornalista profissional há mais de três décadas, trabalhou como repórter e editor em grandes jornais e revistas do país, como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Marie Claire. Idealizador e curador da exposição Leminski: 20 Anos em Outras Esferas, sobre a obra do poeta curitibano, no Instituto Itaú Cultural. É um dos editores da revista literária Coyote.
Os poemas a seguir foram selecionadas do livro Risca faca (Selo Demônio Negro, 2021).
CAVERNA
me tranquei na caverna com platão pra enfrentar meus próprios males não vi primata nem zapata nem dragão ouvi o canto das sereias pelos bares chamei pra briga o capeta de facão senti o aço perfurando a carne mole gritei bem alto um tremendo palavrão chamei são jorge pra ajudar o filho pobre daqui ninguém sai vivo nem com reza ou um milhão um dia até o tolo acaba que descobre perdi o medo de espelho e solidão só levo a vida com a pele que me cobre
Gabrielle Dal Molin nasceu em 1987, em São Paulo. Viveu no interior deste estado até se mudar para o Rio Grande do Norte. É professora de História, mestre em Antropologia e doula. Além de poemas, escreve sobre as vivências de ser mãe, bissexual e não monogâmica. Seu primeiro livro de poesia, Seiva (Ed. Multifoco) foi publicado em 2017 e o segundo, Carnaval no Abismo, acaba de ser publicado pela Munganga Edições, contemplado pela Lei Aldir Blanc, através da Fundação José Augusto, do Governo do RN.
foto: Ian Rassari
Os poemas a seguir foram selecionados do livro Carnaval no Abismo (Munganga Edições, 2021).
CARNAVAL NO ABISMO
arisco feitiço
nosso tempo é desse silêncio forte feito o mar sem grito
Vitor Miranda é poeta e contador de causos. Tem 4 livros publicados, com destaque para A gente não quer voltar pra casa, semifinalista do prêmio Oceanos 2019. É criador e apresentador do programa de entrevistas Prosa com Poeta. Na música é criador, letrista e poeta da Banda da Portaria e também do Margaridáridas.
Os poemas a seguir foram selecionados do livro A gente não quer voltar pra casa (Kotter Editorial, 2018).
AZUIS
quantos azuis há nos varais quantas terminações em dores no primeiro verso tem algo submerso nas água que eu não vejo pendurada
Carol Sanches nasceu em Campinas em 1981. Autora de Não me espere para jantar (Patuá, 2019), menção honrosa no Prêmio Maraã de Poesia 2018, Devo admitir que me dá um certo prazer (Urutau, 2020), e dos livros independentes Poesias Pormenores (2007) e Toda diva tem divã (2008). Tem poemas publicados em revistas digitais e faz parte das antologias poéticas Parem as máquinas! (Selo Off Flip, 2020),Laudelinas (Mirada Janela, 2020), Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto: o centenário (Mirada Janela, 2020), Quem dera o sangue fosse só o da menstruação (Urutau, 2019) e Prêmio Sarau Brasil 2018.
Os poemas a seguir foram selecionados do livro Devo admitir que me dá um certo prazer (Urutau, 2020).
O TAROT
que o mistério do mundo está no mundo todos sabem
dirão, é claro a lua tem fases a lua estica as marés a lua minguante faz cair os cabelos de vergonha
só não dirão tan seguros como a carta se levanta inteira após o corte ou sobre como o corte sangra limpo sem vestígios