Amanda Vital: Costura (2023)

Amanda Vital é editora na editora Patuá, ombudswoman do jornal RelevO e co-editora da revista
Mallarmargens. Tem bacharelado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais e é
mestra em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhando com a obra poética de
Augusto dos Anjos pela editora Ponto de Fuga, de Lisboa. Autora do livro Passagem (poemas, Patuá,
2018). Participa de antologias de literatura brasileira contemporânea e tem poemas traduzidos para
inglês, espanhol e catalão, publicados em revistas físicas e impressas.



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Costura (Patuá, 2023).


DURAÇÃO

na roça homens morrem em água de chuva
a partir disso todas as rotinas são a mesma
um senhor começa a ler o jornal pela folha
de falecimentos à esquerda dos classificados
para saber se perdeu mais um amigo no dia
para pedir à mulher que separe a sua camisa
branca um corte de tecido a imitar um lenço
umas calças de tergal e os únicos mocassins
agarra num terço numa fotografia de gaveta
para meio ao corredor maldizendo a chegada
dos jornais ao campo maldizendo as notícias
a galoparem tão mais velozes do que o campo
fecha a porta atrás dele e chora antes de partir
fungando como quem precisa adiar a tristeza
como quem precisa estar rijo e seco e pronto
o homem do campo lamenta a perda dos seus
sempre longe: seu choro dura uma eternidade
atrás dos pés de café e atrás dos pés de limão

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BRECHA #6

Registro do evento BRECHA #6, realizado na Associação Cultural Cecília no dia 07/03/2023. Curadoria e Produção: Flora Miguel e Jeanne Callegari. Apresentações: Júlia de Carvalho Hansen e Juliana Perdigão, Ian Uviedo e Felipe s., Ricardo Domeneck e Markus Nikolaus. Projeções: Guilherme Pinkalsky Apoio: Bernardo Pacheco, Associação Cultural Cecília e Editora Primata.



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Vagner Mun: quasemenos (2020)

Vagner Mun, autor do livro de poemas quasemenos (editora Patuá), é de São Paulo. É organizador dos e-books de poesia e fotografia Essas Águas, Voares e Terrário e tem poemas publicados em diversos portais da internet e em coletâneas impressas. Dedica-se também à fotografia, ao design, à produção audiovisual e ao magistério universitário.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro quasemenos (Patuá, 2022).



SERENIDADE


Algo de água no ar
uma suspeita, na pele das coisas

a busca de marcas
em contraluz, de sombras
(a face escura da ínfima gota)
a mão pela janela: o que não se vê

Respira-se água o vento
(vivência primeva de peixe)

Chuva-não
vem.

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