Tomaz Amorim Izabel: meia lua soco (2020)

Tomaz Amorim Izabel (1988) é natural de Poá/SP. É pós-doutorando em Teoria Literária na Unicamp. Escreve sobre política e cultura na Revista Fórum e faz crítica literária no Jornal Rascunho. Já publicou traduções de Walt Whitman e Franz Kafka. É editor do coletivo de traduções literárias Ponto virgulina. Já publicou poemas em diversas revistas virtuais. Em 2018, publicou seu primeiro livro, Plástico pluma, pela editora Urutau. Tem em seu currículo de “fechados”: Contra: Hard Corps, Mortal Kombat II, Altered Beast e, mais recentemente, Cuphead. Chegou ao elo Diamante no Paladins.




Os poemas a seguir foram selecionados do livro meia lua soco (Editora Primata, 2020), disponível para aquisição neste link.





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o buraco negro no centro da galáxia
é invisível
incapturável
infotografável
apesar do halo
do ralo

em seu emaranhado crespo
em seu rumor surdo
não é possível que seja porta de saída
mas de entrada
para dobras
falas por lábios
de outros universos


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Orides Fontela: Teia (1996)

Orides Fontela nasceu em São João da Boa Vista (SP) no ano de 1940 e faleceu em Campos de Jordão (SP) em 1998. Mudou-se em 1967 para a capital paulista, onde cursou filosofia na Universidade de São Paulo. É autora dos livros de poesia Transposição (Instituto de Espanhol da USP, 1969), Helianto (Duas Cidades, 1973), Alba (Roswitha Kempf, 1983), Rosácea (Roswitha Kempf, 1986) e Teia (Marco Zero, 1996). Sua obra foi reunida em 2015 pela editora Hedra, acrescida de poemas inéditos.





Os poemas a seguir foram selecionados do seu livro Teia (Marco Zero, 1996). Confira a postagem sobre suas outras obras neste endereço.





TEIA


A teia, não
mágica
mas arma, armadilha

a teia, não
morta
mas sensitiva, vivente

a teia, não
arte
mas trabalho, tensa

a teia, não
virgem
mas intensamente
                      prenhe:

no
centro
a aranha espera.

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Rogério Skylab: Debaixo das rodas de um automóvel (2006/2020)


Rogério Skylab é uma das figuras mais expressivas do cenário alternativo brasileiro. Carioca, é conhecido principalmente por suas composições, distribuídas numa extensa discografia, iniciada com Fora da Grei (1992). A maior parte dos seus registros musicais é conceitualmente arranjada em séries: Série dos Skylabs (I a X), Trilogia dos Carnavais, Trilogia Skylab & Tragtenberg, Trilogia do Cu e Trilogia do Cosmos – sua produção mais recente e ainda não completamente lançada.

foto por: Solange Venturi


Os poemas a seguir foram selecionados do livro Debaixo das rodas de um automóvel, lançado em 2006 pela Editora Rocco, e reeditado pela Kotter Editorial em 2020.



VITRINES DE DOMINGO


Moro entre coisas efêmeras
num quarto de pensão impossível.
Ontem cedo matei dois ratos.
Aí está minha metafísica.

Sou um poeta errado.
Consumi muito de minha vida
deitado na cama e me masturbando.
Escrevo só para fazer de conta que vivi.

Olho pela janela do quarto
as vitrines fechadas da cidade.
Amanhã estarão repletas de luzes,

mas hoje adormecem como se ninguém as visse.
E mostram-se taciturnas, absurdas,
essas vitrines de domingo que eu olho tanto.

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Beth Brait Alvim: A febre e a mariposa (2018)

Beth Brait Alvim, de São Paulo, Brasil, é graduada em Letras Neolatinas pela FFLCH-USP; pós-graduada em Ação Cultural pela ECA- USP e é Mestre pelo PROLAM – Programa de Integração da América Latina da USP, com o tema: “Desvelando uma atitude poética para o mundo contemporâneo: experiências com poesia em Diadema e Catamarca”. Tem poemas, contos, artigos e ensaios em inúmeras antologias, revistas e sites nacionais e internacionais; os mais recentes, na revista E, do Sesc, e na Revista Conhecimento Prático – Literatura., MatériKa, da Costa Rica. É colaboradora na Revista Digital Entrementes. Foi contemplada com a bolsa de Especialização Profissional Politiques Culturelles et leur Administration, Programme Courants du Monde, França.  Representou o Brasil em Sonora, México, nos VI e XVI Encuentro Iberoamericano de Escritores Bajo el asedio de los signos; autografou seus livros, palestrou e apresentou-se em saraus e encontros como a FLIPORTO, Recife, e FLIP, Paraty. Tem participado como júri de prêmios e concursos, como o Prêmio de Poesia Lusófona OFF FLIP. Tem ministrado oficinas, cursos de literatura e teatro. Participa como poeta de performances e saraus, o mais recente: Iracunda, Ópera do Silício, com a orquestra SPIO, no Centro Cultural Maria Antônia, Casa da Luz, Centro da Terra e outros, sob a regência de Daniel Carrera. Tem resenhas críticas veiculadas no antigo Entrelinhas da TV Cultura. Organizou antologias literárias, participou de mesas críticas, a mais recente em fins de 2019 como comentarista do livro Dias ácidos, noites lisérgicas, de Claudio Willer, na Casa das Rosas. Tem vídeos documentários sobre sua vida e obra, foi entrevistada no programa Biblioteca Sonora, da Rádio USP, e no Perfil Literário, da Rádio UNESP., entre outros Escreveu cerca de 12 prefácios para livros. Assinou direções teatrais, e participou como atriz em espetáculos; o mais recente, Mistério do Fundo do Pote ou Como nasceu a fome, de Ilo Krugli, do Teatro VentoForte. 







Os poemas a seguir foram selecionados do livro A febre e a mariposa (Patuá, 2018).







A FEBRE E A MARIPOSA 1



el dios mariposa me abraça
me enlaça de púrpura e suga
lento o sangue e o sal do que
invento

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