Clara Baccarin: Vísceras (2019)

Clara Baccarin é poeta do interior paulista. Formada em Letras e mestre em Estudos Literários pela Unesp, publicou os livros: Castelos Tropicais (romance, Editora Chiado), Instruções para Lavar a Alma (poesia, publicação independente), Vibração e Descompasso (crônicas, Editora Laranja Original). Seu livro Instruções para Lavar a Alma recebeu o Prêmio Guarulhos de Literatura 2017. Em maio de 2019, lançou seu segundo livro de poemas, Vísceras (Editora Patuá), contemplado com o edital de poesia do ProaC. Site: www.clarabaccarin.com




Os poemas a seguir foram selecionados do livro Vísceras (Editora Patuá, 2019).


Amanhã meu corpo dói

se não é de danças e de bênçãos

que eu o cubro

Amanhã as ondas devolvem

o que sem sentir com o dentro

eu mergulhei

Amanhã o coração regurgita

onde eu pisei

sem caber todo o meu ser


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André Merez: Vez do Inverso (2017)

André Merez nasceu na capital paulista em 1973, iniciou como letrista e contrabaixista das bandas Cathedral e Siso Símio nas décadas de 80 e 90, cursou Letras e fez pós-graduação em Língua Portuguesa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Na graduação realizou pesquisa sobre o discurso do poder na obra de Plínio Marcos e na pós defendeu tese sobre as relações entre o processo inferencial e as questões de interpretação de texto na verificação de aproveitamento de leitura. Leciona Teoria da Literatura e Gramática há mais de 18 anos e desenvolve pesquisas sobre música, artes plásticas e poesia. É autor do livro Vez do Inverso (Editora Patuá, 2017), editor da revista POESIA AVULSA e já teve seus poemas publicados nas revistas Mallarmargens, Diversos Afins, Germina e Gueto.




Os poemas a seguir foram selecionados do livro Vez do Inverso (Editora Patuá, 2017).




CORPO DA PALAVRA


Agora
o poema tem outra causa.
Seu efeito, lume ofuscado,
pousa

ainda
na concretude fixa e fiel
do corpo da palavra
vaza.

Depois,

o signo escorre
e brilha o seu sêmem,
penetra a cavidade e,
finalmente, fecunda o
óvulo da palavra.


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Orides Fontela: Rosácea (1986)

Orides Fontela, uma das mais importantes poetas contemporâneas brasileiras, nasceu em São João da Boa Vista (SP) no ano de 1940 e faleceu em Campos de Jordão (SP) em 1998. Mudou-se em 1967 para a capital paulista, onde cursou filosofia na Universidade de São Paulo. É autora dos livros de poesia Transposição (Instituto de Espanhol da USP, 1969), Helianto (Duas Cidades, 1973), Alba (Roswitha Kempf, 1983), Rosácea (Roswitha Kempf, 1986) e Teia (Marco Zero, 1996). Sua obra foi reunida em 2015 pela editora Hedra, acrescida de poemas inéditos.





Os poemas a seguir foram selecionados do seu livro Rosácea (Roswitha Kempf, 1986). Confira a postagem sobre suas outras obras neste endereço.





AURORA


Rosa, rosas. A primeira cor.
Rosas que os cavalos
esmagam.


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Rubens Jardim: Cantares da Paixão (2008)

Rubens Jardim, 72 anos, jornalista e poeta. Publicou poemas em diversas antologias no Brasil e no exterior.  É autor de cinco livros de poemas: ULTIMATUM (1966), ESPELHO RISCADO (1978), CANTARES DA PAIXÃO (2008), FORA DA ESTANTE (2012) e ANTOLOGIA DE POEMAS INÉDITOS (2018). Organizou e publicou JORGE, 8O ANOS (1973) – uma espécie de iniciação à parte menos conhecida e divulgada da obra do poeta alagoano e que foi o pontapé inicial do ANO JORGE DE LIMA, em comemoração aos 80 anos do nascimento do poeta, evento que contou com o apoio de Carlos Drummond de Andrade, Menotti del Pichia, Cassiano Ricardo, Raduan Nassar e outras figuras importantes da literatura do Brasil. Integrou o movimento CATEQUESE POÉTICA, iniciado por Lindolf Bell em 1964, cujo lema era: o lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares.





Os poemas a seguir foram selecionados do livro Cantares da paixão (Editora Artepaubrasil, 2008). Ao final da publicação, há também um poema inédito.




AUTORRETRATO


Até que enfim
Não dei em nada
Dei em mim



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Bruno Brum: Tudo pronto para o fim do mundo (2019)

Bruno Brum nasceu em Belo Horizonte, em 1981. É poeta e designer gráfico. Publicou os livros Mínima ideia (2004), Cada (2007) e Mastodontes na sala de espera (2011, vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria Poesia, em 2010). Tem trabalhos publicados em periódicos e antologias no México, na Argentina, no Peru, no Paraguai, na Espanha e nos EUA. Em 2018, a Antônima Cia de Dança apresentou em São Paulo o espetáculo Isso ainda não nos leva a nada, inspirado no livro Mastodontes na sala de espera. Vive em São Paulo desde 2012.


foto: Tatiana Perdigão

Os poemas a seguir foram selecionados do livro Tudo pronto para o fim do mundo (Editora 34, 2019).



O PORCOSSAURO


O Porcossauro não está contente.
Precisa de novos amigos
e um novo lar.
Precisa se esforçar mais
e entender que nada na vida vem fácil.
O Porcossauro caminha pela cidade observando os outros porcossauros
aparentemente mais felizes do que ele.
Sabe que é hora de mudança.
Mas mudar o quê? pergunta-se, angustiado.
Ninguém poderia estar mais triste.
Nem mesmo os porcossauros que não têm onde morar e o que comer.
Tudo depende de você, dizem os porcossauros felizes.
E isso só piora as coisas.
O Porcossauro pensa na Porcossaura e no Porcossauro Jr.
A angústia aumenta.
Não há para onde ir, conclui, atravessando a rua.
Não há por onde continuar.
Mas deve haver um jeito.
Deve haver um jeito, resmunga.
Ou não me chamo Porcossauro.


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